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04/02/2010

O centro de histórico de Vila Nogueira necessita urgentemente de ser dinamizado

Muito se tem falado sobre o que fazer ao centro histórico de Vila Nogueira de Azeitão (Praça da República e Rua José Augusto Coelho), para que seja cada vez mais um espaço nobre.




Deverá fechar-se ao trânsito e tornar-se zona pedonal? Ou será melhor deixar tudo como está? Uma certeza existe: sem a captação de novos moradores, sem um plano de recuperação abrangente e sem animação será difícil imprimir outra dinâmica ao espaço.




Para devolver o centro histórico aos cidadãos será fundamental a existência de uma série de condições. Estará Azeitão preparada para isso? Falta o principal, a habitação.


Terá de ser feita uma recuperação urbanística com unidade e rigor. Será necessário dar “contrapartidas” aos moradores que chegarem. Por exemplo: Há edifícios que não poderão ter garagem, mas essas pessoas terão de ter acesso a estacionamento. Vila Nogueira tem um centro histórico agradável, mas para que as pessoas frequentem o espaço será necessária a continuação da recuperação dos imensos imóveis que estão degradados.

Lamentamos, o facto desta área, não ser pensada como potencial zona habitacional, mas apenas como espaço público. O comércio é no rés-do-chão, enquanto, que a partir do primeiro andar terá de haver gente a morar. É necessário integrar uma coisa na outra.
Para as pessoas andarem pelas ruas da Vila, terão de deixar o carro algures. Vila Nogueira terá que ter parques de estacionamento suficientes e com preços competitivos. E as lojas que existem terão de ser suficientemente cativantes.


Somos acérrimos defensores das compras nas zonas tradicionais em detrimento das grandes superfícies comerciais e acreditamos que a zona antiga de Vila Nogueira tem potencial para ser uma animada e categorizada zona comercial.

É a memória maior e a força da vila. O peso da história cria uma complexidade extremamente interessante. E é melhor passear no centro urbano do que num centro comercial, onde há uma grande série de ruídos extremamente desagradáveis.

No entanto, encontra alguns defeitos no centro histórico, para além do próprio estado de degradação de grande parte dos edifícios, com a falta de mobiliário urbano da vila, é necessária a dinamização da área.

Os comerciantes de Vila Nogueira têm tido algumas iniciativas, o que mostra que estão atentos... A verdade é que para o renascimento de um centro histórico, além de ser um local aprazível e com animação, são necessárias lojas, cafés e restaurantes de qualidade. Foi o que aconteceu na baixa de Setúbal, no único local livre de carros do concelho. O Largo da Misericórdia é a sala de visitas de Setúbal e justifica sê-lo.

Relativamente à pedestrianização, entendemos que, para que tal seja possível será necessário um investimento em espaços diferenciados, locais onde seja possível organizar eventos.

Uma zona histórica, surpreendente aquilo que o torna um centro histórico vibrante, são as pessoas e não os automóveis. É fundamental devolver a praça e a rua da vila ao peão, às bicicletas, aos skates, etc.

É preciso, no entanto, antes de tudo, fazer um estudo abrangente, porque há ruas, pelas quais passam uma grande quantidade de automóveis, que terão de manter o seu papel de vias estruturantes para não pôr em causa o normal escoamento do trânsito na vila.

Não é o caso da Rua José Augusto Coelho, aquela que é vista pelos urbanistas como o caso mais paradigmático em Azeitão. Não há condições para passar peões e automóveis ao mesmo tempo. As pessoas não se sentem seguras e, por isso, deveria ser cedida ao peão. Para agradar a todos é preciso fugir ao fundamentalismo, é necessário jogar com os horários, para permitir cargas e descargas e é fundamental ter oferta de estacionamento. Importante é que o processo seja participado por todos os intervenientes...

Relativamente ao edificado, consideramos haver mais requalificação. Se queremos o centro vibrante é essencial que o piso térreo seja ocupado por comércio, cafés, restaurantes... As iniciativas de animação, tanto públicas como privadas ou mesmo em parceria, são a melhor forma de trazer pessoas às ruas de Vila Nogueira. Não deverá caber só à administração pública a organização destes eventos. O espaço público é de todos... É este o caminho a seguir. Espectáculos temáticos, artes plásticas, música, desporto. Tudo são iniciativas “válidas” para dar vida à Vila.

Assim sendo, Via Nogueira deve “apostar em espaços de permanência do peão com conforto, segurança e iluminação” e “criar cenários que surpreendam quem passa, com uma estátua, um nicho na parede, um pormenor no chão”, o que no centro histórico não há.

Um centro comercial a céu aberto deverá ter um gestor do seu centro urbano, será o responsável da Agência para a Promoção e Desenvolvimento dos Centros Urbanos de Azeitão, organismo que estará sob a tutela das duas freguesias São Lourenço e São Simão e tem como missão ajudar a insuflar vida nos centros históricos destas freguesias.

A aposta num mobiliário urbano coerente, na “melhoria e uniformização de esplanadas, toldos, sinalética comercial” é uma das suas iniciativas. O caminho passa pela cooperação entre comerciantes, moradores, autarquias e associações para criar um modelo de desenvolvimento para o comércio que também passa pela melhoria visual e estética dos espaços. É um pouco como ter um centro comercial a céu aberto que existem em várias cidades.

Um dos problemas do município de Setúbal é a tomada de medidas avulsas, ad hoc, sem corresponderem a uma política global, concertada e consistente.

Evidentemente que o centro de histórico de Vila Nogueira necessita urgentemente de ser dinamizado, e essa vai ser a primeira acção do Movimento Fórum Cidadania Azeitão (MFCA) em 2010, pretendemos e vamos mobilizar todos os Azeitonenses para um debate sério e democrático.
Vamos criar espaços para os Azeitonenses debaterem, as medidas a propor aos autarcas do município.

Há, no entanto, algumas palavras-chave para o debate: segurança; animação consistente e consequente; requalificação patrimonial; habitantes (sem habitantes não há vida); oferta comercial abrangente e de qualidade.

A pedonalização das zonas históricas é uma realidade na esmagadora maioria das urbes de todo o mundo, com grande êxito. É evidentemente uma medida a ponderar, mas no âmbito do tal debate global e participado atrás referido. Essa medida isolada, como qualquer outra medida desgarrada e desenquadrada, não terá os efeitos que se pretende.


Luís Rosado Santos
Partido Socialista
Membro da Assembleia de Freguesia de São Simão de Azeitão/2009-2013

Email: luis.mrosadosantos@gmail.com

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